Já tudo foi dito. Oiçamos apenas.
O Congresso Ibérico "A Bicicleta e a Cidade" constituiu um momento notável de afirmação da Murtosa no contexto da "bicicultura" internacional.
Foi, de igual modo, uma oportunidade excelente para a divulgação do nosso Território.
Uma palavra de apreço para o pessoal do Motoclube do Porto, que trouxe, no passado fim-de-semana, mais de 120 motards a Terras Murtoseiras, para o seu 21º Moto-rali Turístico “Reviver na Ria de Aveiro”.
Na Ribeira, um dos muitos sítios visitados pelos animados motards, as motos foram substituídas pelas bicicletas, para uma voltinha até ao Bico, pelo meio da natureza.
Um verdadeiro exemplo de bom planeamento, organização cuidada e correcção notável. Venham mais vezes!
De uma proeminente figura da nossa cultura ouvi, certa vez, que aquilo que mais desejava era, depois da sua morte, ser recordado, não pela sua inteligência, produção artística, poder ou riqueza, mas, apenas sido um Homem Bom. Num tempo dado a mediatismos de circunstância, do parecer antes do ser, do vale tudo, da competição pelo protagonismo que começa no berço, ser recordado como homem bom parece coisa de gente pouco ambiciosa e até ingénua. Puro engano. Homens verdadeiramente bons, hoje, como ontem, há-os poucos. O meu amigo Cardoso era um deles.
Vou recordá-lo por ter pertencido a essa estirpe rara de homens bons. Dono de uma bondade primordial, daquelas que só encontramos paralelo na infância, feita de uma entrega incondicional às causas, às associações, à sua Terra, no fundo, às pessoas. O NÃO era palavra que parecia existir no seu léxico diário. Sempre atento, sempre disposto, sempre disponível. SIM, sempre.
Perguntaram, certa vez, ao grande cirurgião João Lobo Antunes, onde estava a chave do seu enorme sucesso profissional, alvo de reconhecimento em todo o mundo. A resposta, espantosamente simples, desarmou a entrevistadora e comoveu-me. “Sabe, é que eu gosto das pessoas”. Na despedida do meu amigo Cardoso, ao ver a quantidade de gente que o acompanhou até à última morada, lembrei-me do Dr. Lobo Antunes. O nosso Cardoso também gostava das pessoas e essa foi a chave do seu sucesso como Ser Humano. As centenas que o acompanharam à última morada quiseram, justamente, retribuir-lhe esse carinho inesgotável.
Como dizia o herói, inspirado, de uma dessas sagas de Hollywood: “não importa que tenhas muito tempo. O que importa é aquilo que fazes com o tempo que te foi dado”. De certa maneira, uma outra forma de parafrasear a citação bíblica que diz que uma vida longa, nem sempre é sinónimo de uma vida cheia. Ao Cardoso, Deus não lhe destinou uma vida longa, mas presenteou-o com uma vida verdadeiramente cheia. E essa – a vida cheia – só está ao alcance dos homens verdadeiramente bons.
Januário Cunha
Amigo do Cardoso

E de repente, quando damos por ela, já passaram 8 anos.
Obrigado, uma vez mais, a todos aqueles que, pacientemente, vão espreitando este blogue de quando em vez.
OLD IDEAS - LEONARD COHEN (2012)
Este blogue tem idade suficiente para ter assistido à edição do último álbum de originais de Leonard Cohen (Dear Heather). Se, em 2004, afirmava que "Dear Heather" não era um Cohen vintage, já sobre este "Old Ideas" não tenho qualquer dúvida em colocá-lo no pateão criativo do Mestre.
As "ideas" basilares do poeta estão lá todas, materializadas num belo punhado de canções, algumas das quais levam, de imediato, o carimbo de clássico. Escutem o delicioso "different sides", que fecha o disco, o belissímo "show me the place" ou a minha predilecta "come healing". Magistral!